Perguntas Frequentes: O Que é Necessário Saber Sobre a Maconha Medicinal

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Alguns estados norte-americanos já legalizaram a maconha medicinal. Aqui estão algumas fatos que devemos saber para participarmos do debate público sobre a legalização da cannabis para fins medicinais.

O que é maconha medicinal?
Os termos maconha e cannabis referem-se a todas as partes da planta Cannabis sativa L., seja em crescimento ou não; suas sementes; a resina extraída de qualquer parte dessa planta; e todo composto, fabricação, sal, derivado, mistura ou preparação de tal planta, suas sementes ou resina.

O termo “maconha medicinal” (ou cannabis medicinal) refere-se ao uso da planta não transformada ou de seus extratos básicos para tratar uma doença ou sintoma. No entanto, o uso do termo “maconha medicinal” é controverso, uma vez que a U.S. Food and Drug Administration (FDA) [entidade que aprova medicamentos nos EUA] não reconhece ou aprovou a planta da maconha como remédio, e sua eficácia para uso medicinal é contestada.

A maconha medicinal é uma forma de “medicamento”?
Não. Um medicamento é uma substância usada no tratamento de doenças ou no alívio da dor. O termo maconha medicinal refere-se ao tratamento de uma doença ou sintoma com toda a planta de maconha não transformada ou seus extratos básicos. Nem a planta não transformada nem seus extratos são medicamentos, embora cada um possa conter substâncias (canabinoides especificamente) que tenham valor medicinal.

Como explica o Dr. Greg Bledsoe, o cirurgião geral do Arkansas:

De forma inequívoca, a planta não é remédio. A planta não pode passar pelo processo de aprovação da FDA porque não se conhece a dose, não se conhece os outros compostos que estão lá, não se pode controlar a quantidade dada aos pacientes. Portanto, uma planta nunca poderá ser aprovada pela FDA. . . Os compostos na planta de maconha são tão potentes que, se aprovarmos isto com menos rigor do que o processo de aprovação da FDA, com limites rígidos, isto poderá ser perigoso para as pessoas.

Se a planta (cannabis) contém medicamentos, por que não pode ser considerada como uma forma de medicação?
Para entender por que há uma distinção é útil comparar a cannabis com outras plantas que contêm compostos de valor medicinal. Como diz o Dr. Bledsoe,

Uma dos melhores remédios que temos para a malária até hoje contem uma substância que foi desenvolvida a partir de uma árvore no Peru. Tomamos a casca desta árvore, isolamos um composto dela e fazemos a droga quinina. A quinina é usada em todo o mundo para combater a malária. Essa é a maneira correta de se fazer isso. Não saímos prescrevendo a casca de árvore aos pacientes que sofrem de malária. Prescrevemos o composto vindo da casca da árvore. É a mesma coisa com a maconha. Tomamos a planta, isolamos os compostos que possuem valor terapêutico, os estudamos e os submetemos ao processo de aprovação da FDA, e os oferecemos aos pacientes.

Quais compostos na maconha possuem uso medicinal?
Os compostos que podem ter usos medicinais são os cannabinoides, uma classe de compostos químicos que atua nos receptores cannabinoides nas células que reprimem a liberação de neurotransmissores no cérebro. A planta de maconha contém mais de 100 canabinoides. Atualmente, os dois principais canabinoides da planta de maconha que são de interesse medicinal são delta-9-tetrahidrocannabinol (THC) e cannabidiol (CBD).

De acordo com o Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, o THC aumenta o apetite e reduz a náusea e também pode diminuir a dor, a inflamação (inchaço e vermelhidão) e problemas de controle muscular. O CBD é um cannabinoide que não afeta a mente ou o comportamento. Pode ser útil na redução da dor e da inflamação, no controle de convulsões epilépticas e possivelmente até no tratamento de doenças mentais e dependência química.

Os Institutos Nacionais de Saúde nos Estados Unidos e outros pesquisadores estão explorando os possíveis usos de THC, CBD e outros cannabinoides para tratamento médico.

Quais os medicamentos aprovados pela FDA que contêm cannabinoides?
A FDA aprovou duas drogas, dronabinol e nabilone, que contêm THC. Estes remédios tratam náuseas causadas por quimioterapia e aumentam o apetite em pacientes com perda de peso extrema causada pela AIDS.

O Instituto Nacional de Abuso de Drogas (EUA) relata que O Reino Unido, o Canadá e vários países europeus aprovaram nabiximols (Sativex®), um spray bucal contendo THC e CBD. O medicamento trata problemas de controle muscular causados ​​por esclerose múltipla (EM). (Ensaios clínicos estão sendo realizados para uso no tratamento da dor no câncer). E, embora ainda não tenha sido submetido a ensaios clínicos, cientistas criaram recentemente Epidiolex, um medicamento líquido baseado em CBD para tratar certas formas de epilepsia infantil.

A maconha medicinal ajuda a tratar o glaucoma?
De acordo com a American Academy of Ophthalmology (AAO), a maconha não é recomendada como tratamento para o glaucoma

O glaucoma é uma patologia do olho em que o nervo ótico é progressivamente danificado. Com o passar do tempo, a condição pode levar a uma visão periférica reduzida e até mesmo à cegueira. Uma das causas principais do dano ao nervo ótico no glaucoma é a pressão mais elevada do que a normal no olho, conhecida como pressão intra-ocular ou PIO.

Atualmente, a única maneira de controlar o glaucoma e prevenir a perda de visão, diz a AAO, é reduzir os níveis de PIO. Algumas pesquisas mostraram que a ingestão de maconha faz diminuir a PIO por um curto período de tempo; cerca de três ou quatro horas. Como o glaucoma necessita ser tratado 24 horas por dia, observa a AAO, um paciente com glaucoma “precisaria fumar maconha seis a oito vezes por dia sem interrupção noturna, para receber o benefício de uma PIO mais baixa”. No entanto, a maconha não só diminui a PIO, mas também reduz a pressão arterial em todo o corpo, incluindo ao nervo ótico, efetivamente cancelando o benefício de uma PIO reduzida.

Pode um médico prescrever uma receita médica para maconha medicinal?
Não. De acordo com o Journal of the American Medical Association.

De acordo com a lei federal norte-americana, a maconha não tem uso médico confirmado e tem um alto potencial de abuso. Por estas razões, os médicos não podem prescrever maconha. Em um estado que permita o uso de maconha para tratar condições médicas, no entanto, um médico poderá certificar seu uso. Seu estado poderá requerer um cartão de identificação emitido pelo estado para o uso da maconha medicinal.

As associações médicas apoiam o uso de maconha medicinal?
O consenso geral é que as associações médicas não apoiam o uso da planta de cannabis como remédio. A Associação Americana de Medicina (AMA, na sigla em inglês) afirma que eles não endossam “programas de cannabis médicos estaduais, a legalização da maconha, ou que a evidência científica sobre o uso terapêutico da cannabis atende aos padrões atuais para um medicamento com prescrição médica”. A Associação Americana de Psiquiatria (APA, na sigla em inglês) afirma que “não há evidências científicas atuais de que a maconha seja benéfica para o tratamento de qualquer transtorno psiquiátrico”. Em contraste, a evidência atual apóia, no mínimo, uma forte associação do uso de cannabis com o aparecimento de distúrbios psiquiátricos “. A Sociedade Americana da Medicina de Dependência Química (ASAM, na sigla em inglês) diz: “Dadas as evidências incertas para apoiar a segurança e a eficácia da cannabis e dos produtos de canabinóides no tratamento de condições médicas, a ASAM e várias outras sociedades médicas profissionais aconselharam que todo os medicamentos à base de cannabis, como todos os outros medicamentos, devem ser aprovados pelo FDA “.

Atualmente, onde o uso de maconha medicinal atualmente foi legalizado?
Os seguintes 25 estados norte-americanos (e o Distrito de Columbia) legalizaram a maconha medicinal: Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Connecticut, Delaware, Havaí, Illinois, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Montana, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New Mexico, New York, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont e Washington.

Traduzido por Marq.

fionte https://coalizaopeloevangelho.org/article/perguntas-frequentes-o-que-e-necessario-saber-sobre-a-maconha-medicinal/

 


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