Movimento Igreja Sem Política

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Eu fiquei extremamente curiosa com um grupo de protestava na 31ª edição da Marcha Para Jesus que aconteceu em 8 de junho deste ano, em São Paulo. Então eu fui pesquisar mais de perto e descobri um grupo de evangélicos que foi para a rua com faixa onde se lia “igreja sem política”, para reclamar da politização na religião.

A presença de políticos é muito comum no evento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recusou o convite e não participou, mas outros políticos marcaram presença como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi muito aplaudido pelos participantes. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, representou o presidente e foi vaiado quando citou o nome de Lula. Também participaram o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça e Benedita da Silva. No evento os políticos foram elogiados. O organizador da Marcha e apóstolo da Igreja Renascer em Cristo, Estevam Hernandes Filho, disse, de cima do palco, “Tarcísio, eu te amo”.

A Marcha Para Jesus surgiu em Londres, no Reino Unido, em 1987. No Brasil, a primeira edição aconteceu em São Paulo, no ano de 1992. Desde o início, o evento está, direta ou indiretamente, ligado à política. Foi do ex-senador Marcello Crivella a ideia de criar um dia especial para a celebração. A festa foi incorporada ao calendário, em 2009, quando o presidente Lula, então em seu segundo mandato, sancionou a lei federal 12.025 criando o Dia Nacional da Marcha Para Jesus que deve ser comemorado, anualmente, no primeiro sábado subsequente aos sessenta dias após o domingo de Páscoa. No Brasil, a Marcha é liderada pelo apóstolo Estevam Hernandes.

O protesto aconteceu exatamente por essa influência política em um evento que deveria ser somente em louvor a Jesus Cristo. A Marcha é um exemplo para demonstrar como a política está infiltrada na igreja.

O vice-presidente do movimento Igreja Sem Política, José Luiz Barboza Filho, em entrevista à Folha, disse que na Bíblia e no ministério de Jesus não há menção a vínculo político. O grupo que defende a prática religiosa livre da ação política foi criado em 2020, tem 80 participantes e se comunica pela internet. No site igrejasempolitica.org, os evangélicos são convidados a fazer parte do movimento. Diz para os crentes denunciarem as igrejas evangélicas que são comprometidas com política, que defendam candidatos publicamente, a eleição de membros a cargos eletivos e que façam propaganda política em cultos e cerimônias. Os organizadores do movimento dizem que é para denunciar também líderes que praticam doutrinação ortodoxa e que coagem os membros a acreditar que a igreja “é a recebedora de uma comissão divina que autoriza esse tipo de serviço”.

No Instagram, o movimento tem 41 publicações, 4893 seguidores e não segue nenhum perfil até o fechamento deste artigo, em 12 de junho deste ano. Uma publicação tinha o seguinte texto: “Jesus nos mandou andar pela verdade. Infelizmente, muitos pastores se desviaram dela por interesses da carne, abandonando os frutos do Espírito. Adorando homens em vez de Deus, passaram a espalhar mentiras, a criar pânico nas igrejas, incentivar o ódio, causar brigas e promover perseguição. Chegaram a desvirtuar o propósito do jejum, orar pelas causas erradas e inventar profecias que nunca serão cumpridas. Com tudo isso, colocaram suas próprias igrejas em risco. Quando nada do que eles disseram acontecer, ficarão desmoralizados diante do povo e da sociedade. Causaram escândalos, divisões e impediram que muitas pessoas ouvissem a Palavra de Deus. Em vez de aproximar pessoas de Cristo, afastaram muitos”. Outra postagem dizia que “pastores que estão usando suas igrejas para fazer campanha eleitoral estão vendendo a fé do povo. Esses líderes podem até ganhar algo em troca, mas estarão se condenando a si mesmos, porque os templos e a fé do povo não podem ser comercializados”.

Também há postagem, realizada dia 27 de outubro de 2022, criticando o jejum que, segundo o movimento, foi organizado para gerar voto. Sem citar o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e de pastores, a postagem é uma referência direta às eleições do ano passado quando evangélicos organizaram um jejum pedindo a Deus a vitória de Bolsonaro. Essa mensagem comentando sobre o jejum foi veiculada no Instagram, três dias antes do segundo turno das eleições que ocorreu em 30 de outubro do ano passado. Na época, pastores evangélicos que apoiavam a campanha de Bolsonaro e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, convocaram os evangélicos para fazer 30 dias de consagração e de jejum em favor da vitória de Jair Bolsonaro.

A opinião das pessoas
Em um dos comentários deixados na postagem sobre a convocação para o jejum, uma mulher escreveu que vê “as pessoas se afastando da igreja porque não conseguem mais ouvir a Palavra de Deus, mas discurso político”.

Na minha página nas redes sociais, eu postei sobre o tema da igreja sem partido. Recebi alguns comentários como, por exemplo, de um pastor, que disse que a igreja não precisa de escolher um partido, mas precisa escolher um lado. O pastor disse que os líderes religiosos devem conscientizar os membros sobre ideologias que vão de encontro aos princípios do Evangelho. O pastor concorda com uma igreja sem partido, mas não sem consciência política. Outro comentário foi de um advogado que disse que seria ótimo a igreja não ter partido, pois cada pessoa teria consciência e liberdade de escolha. Mas que a igreja só não pode ser apolítica, pois não pode ser composta por acéfalos.

Uma pessoa defendeu que a igreja precisa se posicionar politicamente. A educação política na igreja impedirá que crentes votem em partidos de esquerda como o Partido dos Trabalhadores que trará o ditador Ortega, da Nicarágua, para o Foro de São Paulo. A pessoa lembrou que esse ditador perseguiu padres e pastores em seu país. Aqui, segundo o comentário, o presidente Lula recusou o convite para participar da Marcha Para Jesus, pois odeia crente. A pessoa que deixou a sua opinião na minha rede disse que é contra a igreja ser palanque, mas defende a educação política. Afirma que cristão tem que parar de votar no carrasco. Disse que cristão não deve votar em comunista e ditador. Já uma jornalista comentou que o parlamento sem igreja também precisa crescer. Apesar de todas as postagens serem públicas, eu optei por não citar os nomes das pessoas.

O que diz a lei
No Brasil, a legislação coloca limites entre a política e a religião. Por exemplo, as pessoas podem denunciar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) uma igreja que fizer propaganda de pré-candidato em época de eleição. Essa prática é crime de abuso de poder econômico e crime eleitoral, de acordo com artigo 37 da lei 9.504/1997. Candidato também não pode receber doação direta ou indireta em dinheiro de igrejas em época eleitoral, de acordo com artigo 24, inciso VIII, da mesma lei. Ainda é proibido doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor um bem ou uma vantagem, inclusive emprego ou função pública, segundo o artigo 41-A da lei já citada. Em seu site, o movimento Igreja Sem Política cita a lei e diz para as pessoas denunciarem crimes de líderes religiosos. Mas não é crime políticos participarem de um evento religioso público como foi o caso da Marcha Para Jesus.

fonte https://www.gospelprime.com.br/movimento-igreja-sem-politica/

 


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