O chavismo venceu as eleições parlamentares e regionais na Venezuela neste domingo, segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em um dia marcado por boicote de grande parte da oposição.
O Grande Pólo Patriótico (GPP) obteve 4.553.484 votos, 82,6%, enquanto os partidos da oposição alcançaram 17,3%.
O partido governista também venceu 23 dos 24 governos estaduais, de acordo com a CNE, com 93% das seções eleitorais contadas.
Os dados oficiais foram divulgados no final de um dia marcado por uma oposição dividida — a maioria decidiu não comparecer —, denúncias de repressão, baixa participação e a inclusão inédita de Essequibo como território eleitoral.
As eleições elegeram novos membros da Assembleia Nacional, governadores estaduais, prefeitos e legisladores regionais.
"Estamos profundamente orgulhosos deste evento", declarou Elvis Amoroso, reitor do CNE.
A organização afirmou que 42,63% dos eleitores compareceram para votar, mas a oposição estima que a participação foi muito menor.
Mais de 85% dos venezuelanos desobedeceram a esse regime e disseram não. Hoje, a estratégia de terror do regime fracassou. Eles acreditaram que poderiam subjugar o povo com ameaças, e isso provocou ainda mais revolta. Até funcionários públicos disseram não", declarou a líder da oposição María Corina Machado em um vídeo.
O único governador da oposição que venceu foi Alberto Galíndez, que foi reeleito no estado de Cojedes com 55,2% dos votos.
Galíndez concorreu como candidato pelo partido democrata-cristão Copei.
A Sombra de Julho de 2024
Neste domingo, 21,4 milhões de venezuelanos foram chamados às urnas para eleger um total de 569 cargos, incluindo 285 deputados à Assembleia Nacional, 24 governadores e 260 legisladores regionais, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Antes das eleições, o chavismo já controlava 19 dos 23 governos estaduais e mais de 90% das cadeiras no parlamento.
As eleições de 25 de maio, que não contaram com observação internacional independente, foram as primeiras realizadas desde as controversas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.
Nicolás Maduro então se declarou vencedor, mas até agora não apresentou os documentos que comprovam sua vitória, apesar dos constantes apelos da comunidade internacional.
A oposição, liderada por María Corina Machado, apresentou documentos dos registros eleitorais da maioria dos distritos eleitorais que indicavam uma vitória de seu candidato, Edmundo González Urrutia.
Maduro finalmente assumiu o cargo em 10 de janeiro de 2025, em meio a acusações de ilegitimidade e repressão a opositores e cidadãos que foram às ruas para exigir transparência na publicação dos resultados.
González, por sua vez, acabou exilado na Espanha após ser perseguido pelo Ministério Público venezuelano.
Neste contexto, a eleição deste domingo foi precedida por um clima de tensão política.
Repressão e boicote da oposição
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, denunciou anteriormente um suposto plano de "ataque" embaixadas com o objetivo de "sabotar" as eleições.
Essa acusação levou à prisão de cerca de 70 pessoas ligadas à oposição, incluindo o líder Juan Pablo Guanipa, um aliado próximo de María Corina Machado.
O partido no poder argumentou que essas medidas tinham como objetivo prevenir atos de violência, enquanto a oposição as interpretou como uma nova campanha de repressão.
As eleições deste domingo também foram marcadas pela divisão da oposição venezuelana, em contraste com a unidade demonstrada nas eleições presidenciais de 2024.
A Plataforma Unitária Democrática (PUD), a principal coalizão de oposição, pediu um boicote às eleições, considerando-as ilegítimas à luz das recentes eleições presidenciais.
Sua líder, María Corina Machado, reafirmou essa posição em um vídeo divulgado semanas antes, no qual instruiu: "No dia 28 de julho votaremos. No dia 25 não votaremos. Nesse dia venceremos, porque somos a Venezuela."
No entanto, uma minoria decidiu participar, liderada pelo veterano político da oposição Henrique Capriles, juntamente com outros líderes como Juan Requesens e Manuel Rosales.
Embora Capriles também acuse Maduro de fraude na eleição presidencial, ele defendeu a participação eleitoral como uma forma de resistência, embora tenha dito que respeita aqueles que optaram pela abstenção.
Essa divisão levou à expulsão dos partidos Un Nuevo Tiempo e Movimiento por Venezuela da Plataforma Unitária, depois que eles decidiram apresentar suas candidaturas para 25 de maio.
A coalizão governante, por sua vez, permaneceu unida durante todo o processo em torno de seu líder, Nicolás Maduro.
Outro dos aspectos mais marcantes dessas eleições foi a eleição, pela primeira vez, de representantes para o território do Essequibo, uma área de 160.000 km² disputada com a Guiana há mais de um século.
Os eleitores votaram em um governador, oito representantes nacionais e sete legisladores regionais, no que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) descreveu como o cumprimento do "mandato do povo" expresso no referendo de 3 de dezembro de 2023, que atribuiu esta região, que atualmente pertence ao Estado da Guiana.
O Tribunal Internacional de Justiça pediu à Venezuela que "se abstivesse de realizar eleições ou se preparasse para realizá-las" em Essequibo, mas Caracas rejeitou a declaração e reiterou que não reconhece a jurisdição do tribunal.
FONTE https://www.bbc.com/mundo/articles/cz0d8xnn5l1o



