Muito já foi escrito sobre o papel do Papa Leão XIV na restauração da unidade de uma Igreja Católica globalmente dividida em termos teológicos e políticos. De questões políticas como imigração a questões teológicas sobre gênero e o papel das mulheres na Igreja, muitos observadores estão atentos para ver como ele superará as divisões e unificará a Igreja.
Enquanto a Igreja Católica continua sua luta pública com essas pesadas questões políticas e teológicas, outro cisma de décadas continua a apodrecer silenciosamente no Oriente.
Na China, os católicos estão divididos entre uma organização estatal chamada Associação Patriótica Católica Chinesa (CCPA) e igrejas católicas clandestinas que se esquivam da autoridade governamental e mantêm lealdade direta ao Vaticano. Embora seja difícil obter números exatos sobre a igreja clandestina, as estimativas apontam para cerca de 6 milhões de membros em ambas as igrejas.
Fundada pelo governo chinês em 1957, a CCPA é uma instituição controversa entre os católicos. Por um lado, sua fundação pelo governo a torna uma das poucas organizações religiosas autorizadas a operar na China. Por outro, a CCPA serve principalmente como porta-voz da propaganda do governo comunista e opera com pouca consideração pela liderança do Vaticano.
De fato, a CCPA foi criada com o propósito expresso de impedir a influência da Santa Sé nos assuntos chineses, e o governo chinês chegou a ordenar bispos sem o consentimento do Vaticano. Em 2007, o Papa Bento XVI declarou a CCPA "incompatível com a doutrina católica" devido à sua autogestão separatista.
Em 2018, o Papa Francisco assinou um acordo secreto com o governo chinês, supostamente para recuperar algum grau de controle sobre a CCPA para o Vaticano. Em particular, o acordo teria reservado ao Vaticano o direito de vetar candidatos a bispos propostos pelo governo chinês.
No entanto, apenas um mês após a renovação do acordo em 2020, a China divulgou uma versão revisada de suas Medidas Administrativas para o Clero Religioso, na qual alegou autoridade unilateral para nomear bispos no CCPA. Essas regras desconsideravam qualquer colaboração acordada no mês anterior.
A China tem agido com base nessa autoridade unilateral para nomear bispos nos anos seguintes — inclusive nos dias que se seguiram à morte do Papa Francisco, quando nomeou unilateralmente dois bispos. Em um caso, o bispo nomeado pelo governo foi designado para uma diocese já chefiada por um bispo nomeado pelo Vaticano, o que levou o Papa Leão a uma disputa diplomática precoce.
A China é conhecida por ter forçado seus cidadãos a praticar abortos, esterilizado mulheres sem seu consentimento e assassinado minorias religiosas para vender seus órgãos no mercado negro. Em muitos casos, comunidades religiosas são alvo desse tipo de maus-tratos. Igrejas cristãs domésticas são uma tentativa de escapar do escrutínio do governo, mas mesmo elas são frequentemente invadidas e seus membros presos sob a acusação de trabalhar contra os interesses do Estado.
A China é líder mundial no uso de tecnologia para vigiar e reprimir seus cidadãos. Embora a extensão total de seu aparato de vigilância seja desconhecida, pesquisas mostram que o país opera um sistema que visa rastrear os movimentos de cada cidadão para obter informações sobre sua lealdade ao PCC. De detalhes banais, como o que uma pessoa veste, a observações mais amplas, como com quem ela se relaciona, o sistema funciona para rastrear e compreender a lealdade de cada cidadão.
Autoridades do governo chinês usam os dados coletados por este sistema para rastrear e controlar aqueles que consideram um perigo para o Estado. Isso inclui, notavelmente, qualquer pessoa associada ao movimento de igrejas domésticas não registradas e qualquer pessoa que deseje praticar religião fora dos limites das instituições estatais, como a CCPA.
FONTE https://www.persecution.org/2025/05/13/pope-leo-xiv-inherits-tense-state-of-affairs-for-the-catholic-church-in-china/



