Por que plano de sacrificar cabrito elevou tensão em Jerusalém

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Cerca de 350 palestinos foram presos pela polícia israelense após conflitos ocorridos dentro da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.

Eles estavam lá porque o grupo militante islâmico Hamas havia pedido mais cedo que os palestinos protegessem a mesquita após relatos de que extremistas judeus pretendiam sacrificar um cordeiro na área, que os judeus conhecem como o Monte do Templo — o local mais sagrado para o judaísmo.

Entenda o caso.

Por que sacrificar o animal?
O ritual de sacrifício vem do livro sagrado judaico, a Torá.

De acordo com a Torá, os judeus estavam sendo mantidos como escravos no Egito e, para libertá-los, Deus passou pela terra para matar o filho primogênito de cada família egípcia.

Os israelitas (judeus) foram instruídos a matar o filhote de um cabrito ou cordeiro e a pintar a entrada de suas casas com o sangue do animal para que o anjo da morte seguisse sem parar ali.

Esta foi a última das “sete pragas do Egito” e a gota d’água para o faraó egípcio, que permitiu que o povo judeu deixasse o país no que é conhecido como Êxodo.

Uma vez que os israelitas tivessem chegado à “terra prometida”, correspondente ao atual território de Israel, o sacrifício de um cordeiro deveria ser realizado todos os anos por toda a eternidade como uma lembrança do Êxodo.

Hoje, no entanto, poucos grupos religiosos ainda fazem sacrifícios de animais.

Por que ali?
A área do Monte do Templo abriga dois templos bíblicos, e alguns grupos judaicos querem construir um terceiro exatamente onde fica a cúpula dourada da mesquita.

Alguns judeus insistem que o sacrifício do Pessach (a Páscoa judaica) só pode ocorrer ali.

Mas o complexo da mesquita de Al-Aqsa é também o terceiro lugar mais sagrado do islã, entendido como o local da ascensão do profeta Maomé ao céu.

Embora os judeus tenham permissão para visitá-lo, as orações não muçulmanas são proibidas no local.

Esta parte de Jerusalém foi tomada pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias em 1967, após a qual Israel e a Jordânia — a guardiã da mesquita de Al-Aqsa — concordaram que, embora os judeus pudessem ter acesso ao local, eles não teriam permissão para orar lá.

Muitos palestinos se ressentem da presença de visitantes e forças de segurança israelenses no local sagrado, e vários grupos se comprometeram a proteger a mesquita.

O que está acontecendo agora?

A cada ano, grupos extremistas judeus fazem pressão para terem permissão para fazer o sacrifício do cordeiro no Monte do Templo, na véspera do Pessach.

Autoridades israelenses já prenderam em anos anteriores algumas pessoas na véspera da data para evitar tentativas de sacrifício.

Esse ano, o Pessach começa na noite desta quarta-feira, 5 de abril, e termina na noite de quinta-feira, 13 de abril.

O período coincide com o mês sagrado muçulmano do Ramadã, o que elevou as tensões.

Quem está por trás dos conflitos?
Um grupo extremista judeu em particular está associado às tentativas de sacrificar um cabrito perto da mesquita: o “Retorno ao Monte”.

Um dos líderes do grupo, Raphael Morris, foi entrevistado pela BBC em 2022 sobre suas tentativas de orar na mesquita de Al-Aqsa vestido como um muçulmano.

Ele se descreve como um judeu sionista.

“Eu acredito que o Monte do Templo pertence ao povo judeu, por conta do que recebemos como promessa de Deus na Bíblia”, disse Morris.

“A missão é reconquistar o Monte do Templo.”

Morris foi preso pela polícia israelense na segunda-feira (3) por suspeitas de planejar distúrbios públicos.

Segundo reportagens da mídia israelense, o grupo “Retorno ao Monte” oferece recompensas em dinheiro a pessoas que conseguirem abater um cordeiro perto da mesquita ou que forem presas por tentar fazer isso.

fonte https://www.bbc.com/portuguese/articles/cye43y9y5l3o

 

 

 


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